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A formação do patrimônio imaterial no Oeste Catarinense

A formação do patrimônio imaterial no Oeste Catarinense

Chapecó está localizado na região Oeste Catarinense, que possui uma ocupação marcada pela presença de diferentes populações indígenas, bem como caboclos e descendentes de imigrantes europeus.

 

Essa mistura étnica contribuiu para a formação da identidade, da cultura, das tradições e das experiências culinárias da região, que acabam por constituir o patrimônio imaterial de Chapecó, mas também da região onde o município está inserido.

 

Em Chapecó ainda não existem bens imateriais registrados oficialmente como Patrimônio, mas dentre as práticas, saberes e/ou modos de fazer, a gastronomia destaca-se como um elemento importante na constituição das identidades no Oeste Catarinense. Na região, produtos coloniais, como queijo e salame, são considerados bens imateriais.

Pratos típicos podem ser considerados patrimônio cultural imaterial, desde que atendam aos critérios estabelecidos pela UNESCO ou órgãos nacionais, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Brasil. Para ser reconhecido como patrimônio imaterial, o prato típico deve refletir tradições e práticas culturais transmitidas de geração em geração, desempenhar um papel significativo na identidade cultural de uma comunidade e estar associado a rituais, celebrações ou modos de vida tradicionais.

"A cozinha de um grupo cultural é muito mais do que um somatório de pratos considerados característicos ou emblemáticos. É um conjunto de elementos referenciados na tradição e articulados no sentido de constituí-la como algo particular, singular, reconhecível ante outras cozinhas. Ela não pode ser reduzida a um inventário, convertida em fórmulas ou combinações de elementos cristalizados no tempo e no espaço" (Tonezer, 2018, 243).

Em Santa Catarina, um dos pratos típicos que pode ser considerado patrimônio imaterial é o "pinhão", especialmente pelo seu uso nas festas regionais e tradições culturais, principalmente entre as comunidades indígenas e serranas do estado. O pinhão, semente da araucária, é consumido de várias formas, seja cozido, assado ou em receitas como a paçoca de pinhão. Além disso, pratos como a tainha assada no litoral e a cucas alemãs (um tipo de bolo tradicional da culinária germânica) também têm grande importância cultural.

Em Chapecó, um prato típico que pode ser considerado patrimônio imaterial é o "revirado", criado a partir de um projeto que buscou representar a identidade gastronômica das principais etnias formadoras da região: cabocla, italiana, alemã e polonesa. O revirado é uma mistura de polenta mole, feijão-preto, ragu suíno e couve crispe, integrando ingredientes que simbolizam as contribuições culturais de cada uma dessas etnias na formação da identidade alimentar do Oeste Catarinense.

Nesse contexto de entrelaçamento cultural, além da arte nativa dos povos indígenas do Brasil, há influências significativas de tradições europeias, africanas, asiáticas e orientais. A colonização e a constante imigração de diferentes grupos contribuíram para uma rica miscigenação cultural, que se manifesta no que conhecemos hoje como Artesanato e Arte Brasileira. Apesar disso, consideramos o Artesanato uma das formas mais autênticas da Arte Brasileira, refletindo sua essência genuína em diversas origens. Os objetos artesanais contam a história do Brasil, revelando a cultura, as tradições e a ancestralidade dos povos originários, assim como a trajetória de cada grupo imigrante que compõe o povo brasileiro. 

Em Chapecó, o artesanato local reflete a diversidade de povos que ajudaram a formar a identidade da região. Essa riqueza é manifestada nas diversas técnicas e materiais utilizados, que vão desde o trabalho com madeira e cerâmica até tecelagens, crochês e bordados tradicionais. Ao longo do ano, a cidade promove inúmeras feiras de artesanato, que se tornam importantes vitrines para expor esse vasto e diversificado patrimônio cultural, valorizando as tradições locais e conectando a população à sua herança histórica por meio da arte.

Chapecó, também, celebra sua identidade cultural por meio de eventos como a Efapi (Exposição-Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Chapecó), que além de impulsionar o desenvolvimento econômico, promove a cultura regional, reunindo artistas, artesãos e tradições gastronômicas. Além disso, eventos culturais promovidos por grupos locais contribuem para preservar e valorizar a herança das etnias que formam a cidade, como a italiana, a alemã, andígena e a polonesa.

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